'ADOLESCÊNCIA': A minissérie mais assistida da Netflix que questiona a empatia e desigualdade social
Data de Publicação: 27 de março de 2025 17:34:00 Adolescência, fenômeno da Netflix, destaca-se pela execução técnica impecável e pela empatia gerada em torno de seu protagonista branco. No entanto, a série revela uma reflexão crítica sobre a compaixão seletiva da sociedade, questionando como jovens negros são tratados de maneira diferente em situações semelhantes.
A minissérie 'Adolescência', fenômeno recente da Netflix, tem conquistado a audiência mundial com uma execução técnica impecável e uma narrativa emocionante.
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Com uma trama que aborda temas como o impacto das redes sociais, a influência de discursos radicais sobre os jovens e o machismo estrutural, a série se tornou a mais assistida da plataforma, gerando discussões acaloradas.
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No entanto, um aspecto menos comentado e crucial para a reflexão social é a compaixão seletiva que ela desperta. A história gira em torno de Jamie Miller, um adolescente branco de 13 anos, da classe média, acusado de matar uma colega de escola.
A série não apenas tenta desvendar o crime, mas se propõe a entender os fatores que levaram Jamie a cometer um ato tão brutal. Além disso, a produção conseguiu um feito impressionante: superou até mesmo os tradicionais programas de TV britânica, tornando-se a série mais assistida da história da Netflix.
Execução técnica de alta qualidade
A minissérie se destaca pela sua execução técnica inovadora. Cada um dos quatro episódios foi gravado em plano-sequência, uma técnica cinematográfica desafiadora em que toda a ação acontece sem cortes aparentes.
Esse recurso proporciona um realismo impressionante, permitindo que o espectador mergulhe ainda mais na narrativa e acompanhe os acontecimentos como se estivesse ali, em tempo real.
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A complexidade dessa filmagem exigiu semanas de ensaios, onde cada movimento foi meticulosamente ensaiado, fazendo com que algumas cenas necessitassem de mais de dez tentativas para serem concluídas com sucesso.
Um exemplo marcante foi uma perseguição nas ruas, em que a câmera transmite uma sensação de imersão, semelhante à de um videogame. Em outro momento, uma cena de encontro entre Jamie e sua psicóloga provocou tanta emoção na equipe que muitos se emocionaram durante as gravações.
O poder da empatia e a crítica racial
No entanto, o impacto da série vai além da sua técnica e narrativa envolvente. O público se vê profundamente comovido com a história de Jamie, muitas vezes buscando justificativas para seus atos. Isso é reforçado pela forma como ele é humanizado ao longo da trama. A dúvida paira: e se o protagonista fosse negro? A recepção da história seria a mesma?
Infelizmente, a realidade social nem sempre compartilha da mesma empatia. No Brasil, jovens negros representam 83% das vítimas de mortes violentas, segundo a UNICEF.
A sociedade frequentemente os vê como ameaças, negando-lhes o direito de uma história ou de uma chance para explicarem suas ações. Ao contrário de Jamie, que é cuidadosamente humanizado pela série, jovens negros raramente têm suas trajetórias examinadas com o mesmo olhar compassivo. Em vez disso, são criminalizados e muitas vezes condenados sem chance de redenção.
Reflexões sobre a sociedade contemporânea
'Adolescência' é, sem dúvida, uma produção importante, mas também revela as desigualdades na forma como a sociedade encara o sofrimento e a possibilidade de redenção.
A série coloca em questão a seleção de quem merece empatia, sugerindo que, em muitas situações, um jovem branco, como Jamie, é tratado com compaixão e recebe uma chance para reconsideração, enquanto os jovens negros, frequentemente, não têm o mesmo privilégio. Esse contraste destaca os padrões culturais que, muitas vezes inconscientemente, definem quem tem direito a uma segunda chance e quem será descartado pela sociedade sem questionamento.
A série não apenas narra uma história de crime e redenção, mas também convida à reflexão sobre os padrões raciais e sociais que ainda permeiam o nosso olhar sobre o outro.

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