Câmara dos deputados aprova projeto de lei que restringe uso de celulares nas escolas

Câmara dos deputados aprova projeto de lei que restringe uso de celulares nas escolas

Data de Publicação: 12 de dezembro de 2024 11:40:00 A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 104/2015, que restringe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas, exceto para fins pedagógicos ou de acessibilidade. O texto segue para análise no Senado.

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A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 11 de dezembro de 2024, o Projeto de Lei 104/2015, que visa restringir o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos nas salas de aula de escolas públicas e privadas, abrangendo também os momentos de intervalo e recreio.

A medida foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) com 45 votos favoráveis e 14 contrários. O texto agora segue para análise do Senado.

A proposta, que foi apresentada inicialmente em 2015 pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS), propõe a proibição do uso de aparelhos eletrônicos nas aulas, exceto quando houver supervisão pedagógica ou quando os dispositivos forem necessários para garantir a acessibilidade, inclusão ou atender a condições de saúde dos estudantes. O relator do projeto, deputado Renan Ferreirinha (PSD-RJ), argumenta que a medida é "necessária e adequada", pois o uso excessivo de celulares interfere na concentração dos alunos, prejudicando a assimilação do conteúdo educacional e a interação social entre os estudantes.

Ferreirinha, que implementou a restrição do uso de celulares nas escolas do Rio de Janeiro em 2023, defende que essa iniciativa tem proporcionado melhores resultados no aumento do foco dos alunos. Ele explica que a escola deve ser um ambiente não só de aprendizado acadêmico, mas também de convivência social, onde os alunos aprendem a interagir com os outros, criando memórias e desenvolvendo habilidades sociais essenciais. “O recreio, por exemplo, é um momento crucial de socialização que não deve ser dominado por telas de celular”, disse.

Por outro lado, o autor original do projeto, Alceu Moreira, afirmou que sua preocupação surgiu devido à crescente utilização do celular em sala de aula, o que dificulta a atenção dos alunos ao conteúdo apresentado. Ele ressalta que a proposta não visa proibir a tecnologia, mas sim disciplinar seu uso, permitindo que as escolas usem os dispositivos de maneira complementar ao conteúdo pedagógico, sem que a atenção dos alunos seja desviada.

O projeto também prevê exceções para casos de "práticas doutrinárias", que poderiam ser filmadas pelos alunos, uma vez que, de acordo com a proposta, o celular poderia ser usado para a proteção contra abusos, como o cyberbullying. Esse ponto foi debatido por deputados como Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), que argumentaram que o celular é muitas vezes a única ferramenta disponível para os alunos registrarem abusos ou injustiças dentro da sala de aula.

Júlia Zanatta, entretanto, criticou a proposta por considerar que questões relacionadas ao uso de celulares nas escolas deveriam ser tratadas de forma mais local, com maior autonomia para os estados e municípios, e não por meio de uma imposição de regras em nível nacional. Ela também questionou a necessidade de o governo federal intervir nas decisões das escolas sobre o uso de aparelhos eletrônicos.

Em resposta, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) destacou que, embora inicialmente fosse contra a proposta, passou a apoiá-la após as modificações no texto, que, segundo ele, garantem o direito dos alunos de usar o celular para a proteção de seus direitos fundamentais. Ele se referiu ao artigo 4 do projeto, que autoriza o uso de aparelhos eletrônicos para garantir a acessibilidade, inclusão e proteção dos alunos, como um avanço importante.

Por fim, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) apontou que, embora o projeto tenha seus méritos, a Constituição já assegura a liberdade de expressão e o direito de aprender e ensinar, mas não prevê que os alunos possam gravar professores sem permissão. Esse ponto gerou controvérsias, com a discussão sobre o equilíbrio entre a proteção dos alunos e as garantias de liberdade de ensino e manifestação.

Agora, com a aprovação na Câmara, o projeto aguarda análise no Senado, onde poderá ser modificado ou aprovado em sua forma atual. Caso seja sancionado, ele estabelecerá novas regras para o uso de celulares nas escolas do Brasil.

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