"Venda do Olho" em São Paulo: milhares trocam leitura da íris por moedas virtuais

"Venda do Olho" em São Paulo: milhares trocam leitura da íris por moedas virtuais

Data de Publicação: 23 de janeiro de 2025 22:40:00 A "venda do olho" em SP atraiu 400 mil pessoas, que trocam leitura da íris por moedas virtuais. O projeto levanta questões de segurança e privacidade, mas oferece uma renda extra para muitos participantes.

Compartilhe este conteúdo:

A iniciativa de um projeto de bilionários da Inteligência Artificial, conhecida popularmente como "venda do olho", já atraiu mais de 400 mil pessoas em São Paulo.

O processo consiste na leitura da íris em troca de moedas virtuais (Worldcoin), que podem gerar cerca de R$ 600 em cotações atuais. Apesar de especialistas apontarem riscos na entrega desses dados sensíveis, o interesse cresce exponencialmente.

Como funciona a “venda do olho”?

O projeto, desenvolvido pela empresa Tools for Humanity, liderada por Sam Altman (criador do ChatGPT), busca criar um sistema chamado World ID. A proposta é confirmar que uma pessoa é humana e única, contribuindo para uma internet mais segura em tempos de bots e fraudes digitais.

O cadastro exige que o participante baixe um aplicativo, forneça dados pessoais e agende a leitura da íris. O procedimento é feito diante de uma máquina futurista, chamada "orb", que escaneia os olhos e gera um código único. Esse código não armazena imagens e é processado anonimamente, segundo a empresa.

O que motiva as filas?

Embora a World argumente que a proposta visa melhorar a segurança na internet, o principal atrativo para os participantes é financeiro. Cada pessoa recebe 48 moedas do criptoativo Worldcoin, que podem ser convertidas em reais via Pix. Para muitas famílias da periferia de São Paulo, isso representa uma renda extra significativa.

Casos curiosos surgem nas filas. Uma moradora da zona leste contou que levou a mãe de 88 anos para garantir o cadastro após a própria leitura ser recusada por ser cega de um olho. A filha relatou que familiares que já participaram “receberam na conta”, o que gerou confiança.

Críticas e preocupações

Especialistas em segurança digital alertam que os dados da íris são altamente sensíveis, sendo praticamente impossíveis de substituir caso sejam vazados ou usados indevidamente. Além disso, dúvidas sobre o armazenamento e tratamento das informações persistem, levando países como Alemanha e Espanha a suspenderem temporariamente o projeto.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) está investigando a World no Brasil. Entre as preocupações estão a falta de clareza sobre o uso dos dados e a dificuldade de revogar o consentimento.

Dúvidas e resistência

Nas ruas, a prática divide opiniões. Enquanto uns afirmam que “ninguém dá dinheiro de graça”, outros argumentam que já fornecem informações pessoais a empresas gratuitamente e, neste caso, veem vantagem em receber algo em troca.

O aspecto religioso também surge. Algumas pessoas associam a leitura da íris à ideia de "vender a alma", mas atendentes garantem que não há ligação com práticas místicas.

Resposta da World

A empresa afirma que sua tecnologia é segura e baseada em criptografia avançada. Os dados são processados de forma anônima, e o objetivo principal é promover inclusão digital. Segundo a World, o incentivo financeiro serve apenas para atrair participantes à rede.

Perspectiva

A “venda do olho” reflete o impacto da Inteligência Artificial em questões sociais e econômicas. Enquanto muitos veem o projeto como uma oportunidade, ele também levanta debates éticos e de segurança. O sucesso em São Paulo sugere que a adesão ao projeto pode crescer, mesmo em meio a questionamentos.

Compartilhe este conteúdo:

  Seja o primeiro a comentar!

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo

Nome
E-mail
Localização
Comentário

Você já caiu em FAKE NEWS?


Voto computado com sucesso!
Você já caiu em FAKE NEWS?
Total de votos:
Sim
Não